Código de Ética
As Entidades Nacionais  representativas dos profissionais da  Engenharia, da Arquitetura, da  Agronomia, da Geologia, da  Geografia e da Meteorologia  pactuam e proclamam o presente  Código de Ética Profissional.
 
 
Brasília, 06 de novembro de 2002
 
 
 1 - Preâmbulo 
 
Art. 1º - O Código de Ética Profissional enuncia os fundamentos éticos e as condutas necessárias  à boa e honesta prática das profissões da Engenharia, da Arquitetura, da Agronomia, da Geologia,  da Geografia e da Meteorologia e relaciona direitos e deveres correlatos de seus profissionais.
 
Art. 2º - Os preceitos deste Código de Ética Profissional têm alcance sobre os profissionais em  geral, quaisquer que sejam seus níveis de formação, modalidades ou especializações.
 
Art. 3º - As modalidades e especializações profissionais poderão estabelecer, em consonância  com este Código de Ética Profissional, preceitos próprios de conduta atinentes às suas  peculiaridades e especificidades.
 
 
 2 - Da identidade das profissões e dos profissionais 
 
Art. 4º - As profissões são caracterizadas por seus perfis próprios, pelo saber científico e
tecnológico que incorporam, pelas expressões artísticas que utilizam e pelos resultados sociais,
econômicos e ambientais do trabalho que realizam.
 
Art. 5º - Os profissionais são os detentores do saber especializado de suas profissões e os sujeitos  pró-ativos do desenvolvimento.
 
Art. 6º - O objetivo das profissões e a ação dos profissionais volta-se para o bem-estar e o  desenvolvimento do homem, em seu ambiente e em suas diversas dimensões: como indivíduo,  família, comunidade, sociedade, nação e humanidade; nas suas raízes históricas, nas gerações  atual e futura.

 Art. 7o - As entidades, instituições e conselhos integrantes da organização profissional são  igualmente permeados pelos preceitos éticos das profissões e participantes solidários em sua  permanente construção, adoção, divulgação, preservação e aplicação.
 
 3 - Dos princípios éticos 
 
Art. 8º - A prática da profissão é fundada nos seguintes princípios éticos aos quais o profissional  deve pautar sua conduta:
 
Do objetivo da profissão
 
I - A profissão é bem social da humanidade e o profissional é o agente capaz de exercê-la, tendo  como objetivos maiores a preservação e o desenvolvimento harmônico do ser humano, de seu  ambiente e de seus valores; 
  
Da natureza da profissão 
  
II - A profissão é bem cultural da humanidade construído permanentemente pelos conhecimentos  técnicos e científicos e pela criação artística, manifestando-se pela prática tecnológica, colocado a  serviço da melhoria da qualidade de vida do homem; 
  
Da honradez da profissão 
  
III - A profissão é alto título de honra e sua prática exige conduta honesta, digna e cidadã; 
  
Da eficácia profissional
  
IV - A profissão realiza-se pelo cumprimento responsável e competente dos compromissos  profissionais, munindo-se de técnicas adequadas, assegurando os resultados propostos e a  qualidade satisfatória nos serviços e produtos e observando a segurança nos seus procedimentos; 
  
Do relacionamento profissional
  
V - A profissão é praticada através do relacionamento honesto, justo e com espírito progressista  dos profissionais para com os gestores, ordenadores, destinatários, beneficiários e colaboradores  de seus serviços, com igualdade de tratamento entre os profissionais e com lealdade na  competição; 
  
Da intervenção profissional sobre o meio 
  
VI - A profissão é exercida com base nos preceitos do desenvolvimento sustentável na intervenção  sobre os ambientes natural e construído e da incolumidade das pessoas, de seus bens e de seus  valores;
 
Da liberdade e segurança profissionais 
  
VII - A profissão é de livre exercício aos qualificados, sendo a segurança de sua prática de  interesse coletivo.
 
 4 - Dos deveres 
 
Art. 9º - No exercício da profissão são deveres do profissional:
 
I - ante ao ser humano e a seus valores:
 
a. oferecer seu saber para o bem da humanidade; b. harmonizar os interesses pessoais aos coletivos;
c. contribuir para a preservação da incolumidade pública;
d. divulgar os conhecimentos científicos, artísticos e tecnológicos inerentes à profissão;
 
II - Ante à profissão:
 
a. identificar-se e dedicar-se com zelo à profissão;
b. conservar e desenvolver a cultura da profissão;
c. preservar o bom conceito e o apreço social da profissão;
d. desempenhar sua profissão ou função nos limites de suas atribuições e de sua capacidade
pessoal de realização;
e. empenhar-se junto aos organismos profissionais no sentido da consolidação da cidadania e da
solidariedade profissional e da coibição das transgressões éticas;
 
III - Nas relações com os clientes, empregadores e colaboradores:
 
a. dispensar tratamento justo a terceiros, observando o princípio da eqüidade;
b. resguardar o sigilo profissional quando do interesse de seu cliente ou empregador, salvo em  havendo a obrigação legal da divulgação ou da informação;
c. fornecer informação certa, precisa e objetiva em publicidade e propaganda pessoal;
d. atuar com imparcialidade e impessoalidade em atos arbitrais e periciais;
e. considerar o direito de escolha do destinatário dos serviços, ofertando-lhe, sempre que possível,  alternativas viáveis e adequadas às demandas em suas propostas;
f. alertar sobre os riscos e responsabilidades relativos às prescrições técnicas e às conseqüências  presumíveis de sua inobservância;
g. adequar sua forma de expressão técnica às necessidades do cliente e às normas vigentes  aplicáveis;
 
IV - Nas relações com os demais profissionais:
 
a. atuar com lealdade no mercado de trabalho, observando o princípio da igualdade de condições;
b. manter-se informado sobre as normas que regulamentam o exercício da profissão;
c. preservar e defender os direitos profissionais;
 
V - Ante ao meio:
 
a. orientar o exercício das atividades profissionais pelos preceitos do desenvolvimento sustentável;
b. atender, quando da elaboração de projetos, execução de obras ou criação de novos produtos,  aos princípios e recomendações de conservação de energia e de minimização dos impactos  ambientais;
c. considerar em todos os planos, projetos e serviços as diretrizes e disposições concernentes à  preservação e ao desenvolvimento dos patrimônios sócio-cultural e ambiental.
 
 5 - Das condutas vedadas 
 
Art. 10 - No exercício da profissão são condutas vedadas ao profissional:I - ante ao ser humano e  a seus valores:
 
I - Ante o ser humano e seus valores:
 
a. descumprir voluntária e injustificadamente com os deveres do ofício;
b. usar de privilégio profissional ou faculdade decorrente de função de forma abusiva, para fins  discriminatórios ou para auferir vantagens pessoais;
c. prestar de má-fé orientação, proposta, prescrição técnica ou qualquer ato profissional que possa  resultar em dano às pessoas ou a seus bens patrimoniais;

 II - Ante à profissão:
 
a. aceitar trabalho, contrato, emprego, função ou tarefa para os quais não tenha efetiva  qualificação;
b. utilizar indevida ou abusivamente do privilégio de exclusividade de direito profissional;
c. omitir ou ocultar fato de seu conhecimento que transgrida à ética profissional;
 
III - Nas relações com os clientes, empregadores e colaboradores:
 
a. formular proposta de salários inferiores ao mínimo profissional legal;
b. apresentar proposta de honorários com valores vis ou extorsivos ou desrespeitando tabelas de honorários mínimos aplicáveis;
c. usar de artifícios ou expedientes enganosos para a obtenção de vantagens indevidas, ganhos  marginais ou conquista de contratos;
d. usar de artifícios ou expedientes enganosos que impeçam o legítimo acesso dos colaboradores  às devidas promoções ou ao desenvolvimento profissional;
e. descuidar com as medidas de segurança e saúde do trabalho sob sua coordenação;
f. suspender serviços contratados, de forma injustificada e sem prévia comunicação;
g. impor ritmo de trabalho excessivo ou exercer pressão psicológica ou assédio moral sobre os  colaboradores;

IV - Nas relações com os demais profissionais:

a. intervir em trabalho de outro profissional sem a devida autorização de seu titular, salvo no  exercício do dever legal;
b. referir-se preconceituosamente a outro profissional ou profissão;
c. agir discriminatoriamente em detrimento de outro profissional ou profissão;
d. atentar contra a liberdade do exercício da profissão ou contra os direitos de outro profissional;

V - Ante ao meio:

a. prestar de má-fé orientação, proposta, prescrição técnica ou qualquer ato profissional que possa  resultar em dano ao ambiente natural, à saúde humana ou ao patrimônio cultural.

 6 - Dos direitos 

Art.º 11 - São reconhecidos os direitos coletivos universais inerentes às profissões, suas
modalidades e especializações, destacadamente:
a. à livre associação e organização em corporações profissionais;
b. ao gozo da exclusividade do exercício profissional;
c. ao reconhecimento legal;
d. à representação institucional.

Art.º 12 - São reconhecidos os direitos individuais universais inerentes aos profissionais, facultados
para o pleno exercício de sua profissão, destacadamente:
a. à liberdade de escolha de especialização;
b. à liberdade de escolha de métodos, procedimentos e formas de expressão;
c. ao uso do título profissional;
d. à exclusividade do ato de ofício a que se dedicar;
e. à justa remuneração proporcional à sua capacidade e dedicação e aos graus de complexidade,  risco, experiência e especialização requeridos por sua tarefa;
f. ao provimento de meios e condições de trabalho dignos, eficazes e seguros;
g. à recusa ou interrupção de trabalho, contrato, emprego, função ou tarefa quando julgar  incompatível com sua titulação, capacidade ou dignidade pessoais; h. à proteção do seu título, de seus contratos e de seu trabalho;
i. à proteção da propriedade intelectual sobre sua criação;
j. à competição honesta no mercado de trabalho;
k. à liberdade de associar-se a corporações profissionais;
l. à propriedade de seu acervo técnico profissional.
 
 7 - Da infração ética 

Art. 13 - Constitui-se infração ética todo ato cometido pelo profissional que atente contra os  princípios éticos, descumpra os deveres do ofício, pratique condutas expressamente vedadas ou  lese direitos reconhecidos de outrem.

Art.14 - A tipificação da infração ética para efeito de processo disciplinar será estabelecida, a partir  das disposições deste Código de Ética Profissional, na forma que a lei determinar.

Comissão Permanente de Estudos do Código de Ética (Copece)

 
 
 
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