Com a proximidade das festas de fim de ano, cidades, comércios e residências se preparam para instalar decorações natalinas que transformam paisagens e criam uma atmosfera tradicional de celebração. No entanto, por trás do brilho das luzes e dos enfeites luminosos, existe uma preocupação crescente entre especialistas da área elétrica: a segurança dessas instalações. A ausência de cuidados técnicos adequados pode gerar riscos significativos, como choques elétricos, curtos-circuitos e até incêndios — especialmente em locais de grande circulação. Em razão disso, a Associação de Engenheiros e Arquitetos de Campos do Jordão (AEACJ) reforça a importância da participação efetiva da engenharia nos projetos de iluminação natalina, tanto no ambiente público quanto nas instalações domésticas.

Mesmo que não exista uma norma técnica da ABNT específica para “iluminação natalina”, os engenheiros alertam que os materiais e as instalações devem seguir um conjunto robusto de normas já existentes no país. A NBR 5410, que trata das instalações elétricas de baixa tensão, é uma das referências obrigatórias para qualquer sistema que envolva energia elétrica em residências, comércios e áreas públicas. Ela define parâmetros fundamentais de proteção contra choques elétricos, sobrecargas, curtos-circuitos e incêndios — justamente os riscos mais comuns associados às decorações de Natal. Em espaços comerciais ou corporativos, a NBR ISO/CIE 8995-1, que estabelece critérios de iluminância e qualidade da luz em ambientes de trabalho, também pode oferecer orientações importantes para evitar desconfortos ou interferências visuais.

No caso das decorações instaladas em vias públicas, praças e centros turísticos, a NBR 5101, que rege a iluminação pública, deve ser usada como referência para que os elementos decorativos não comprometam o tráfego de pedestres e veículos. Além disso, em locais de grande circulação, a iluminação natalina jamais pode interferir ou substituir o sistema de iluminação de emergência, que segue a NBR 10898 — fundamental para garantir rotas de fuga seguras em situações críticas.

Outro ponto central é a qualidade dos produtos utilizados nas composições luminosas. Todos os itens comercializados no Brasil devem possuir certificação do Inmetro, que assegura que os materiais passaram por testes de segurança elétrica. Fios ressecados ou danificados, equipamentos sem procedência e produtos utilizados fora de sua especificação — como itens não resistentes à água instalados em áreas externas — representam riscos potencialmente graves. Para a AEACJ, esse cuidado é indispensável. Em nota, a Associação afirma que “a cultura da prevenção deve fazer parte das rotinas de decoração, especialmente em épocas festivas. O uso de produtos certificados e a instalação orientada por profissionais habilitados são medidas essenciais para proteger a vida e o patrimônio”.

A Associação também destaca a necessidade de inspeção prévia dos materiais, especialmente aqueles guardados de um ano para o outro. Fios dobrados, isolamentos ressecados e conexões desgastadas podem se tornar pontos de superaquecimento. Em ambientes públicos, esse risco é multiplicado pela intensidade do uso e pela exposição às intempéries. Reforçando esse alerta, o presidente da AEACJ, Eng. Rogério Balsante, destaca que “a participação do engenheiro eletricista não é apenas recomendada, mas indispensável em instalações públicas e projetos de grande porte. O profissional é quem tem a capacidade técnica de avaliar cargas, proteger circuitos e garantir que a instalação esteja adequada às exigências normativas e às condições reais do local”.

Balsante também chama a atenção para a improvisação, ainda comum em instalações residenciais. Benjamins, extensões inadequadas e emendas feitas sem critério técnico podem sobrecarregar tomadas e criar um cenário ideal para acidentes. “Não existe decoração bonita o suficiente que justifique colocar vidas em risco. A orientação técnica é simples, acessível e pode evitar tragédias que infelizmente ainda acompanham esse período do ano em muitas cidades brasileiras”, afirma o presidente da AEACJ.

Para a Associação, a presença da engenharia nas decorações natalinas é, acima de tudo, um compromisso com a segurança. Instalar luzes, figuras iluminadas e grandes estruturas metálicas não é apenas uma ação estética, mas uma intervenção elétrica que exige conhecimento técnico, avaliação de riscos e cumprimento rigoroso das normas vigentes. A AEACJ reforça que, ao contar com profissionais habilitados, gestores públicos, comerciantes e moradores garantem não apenas a beleza das festividades, mas, principalmente, um ambiente seguro para todos.

Por Fabrício Oliveira – MTB 57.421/SP