Quando se fala em redução de acidentes de trânsito, muitas pessoas imaginam obras complexas, investimentos milionários e longos períodos de execução. No entanto, a experiência de especialistas em mobilidade urbana e segurança viária demonstra que, em muitos casos, medidas simples e de baixo custo podem produzir resultados expressivos na preservação de vidas e na melhoria das condições de circulação. 

Esse é o princípio que norteia o Manual de Boas Práticas de Engenharia para Redução de Sinistros no Trânsito, recentemente disponibilizado pelo Crea-SP, reunindo soluções técnicas voltadas à identificação e correção de situações de risco presentes nas vias urbanas e rodoviárias.

O documento chama atenção para uma realidade frequentemente observada em municípios de todos os portes: acidentes muitas vezes não são consequência apenas do comportamento dos usuários das vias, mas também de falhas de infraestrutura que podem ser corrigidas com planejamento técnico adequado. Cruzamentos com visibilidade comprometida, sinalização desgastada, iluminação insuficiente, pavimentos deteriorados, ausência de dispositivos de orientação e controle de velocidade ou mesmo projetos viários que não acompanham as transformações urbanas podem contribuir significativamente para a ocorrência de sinistros. 

A boa notícia é que diversas dessas situações podem ser solucionadas por meio de intervenções relativamente simples, integradas às rotinas de manutenção e gestão da malha viária.

Para o presidente da Associação dos Engenheiros e Arquitetos de Campos do Jordão, engenheiro civil Rogério Balsante, a segurança no trânsito deve ser compreendida como resultado direto do planejamento e da atuação técnica qualificada. “A engenharia tem capacidade de transformar espaços urbanos em ambientes mais seguros para motoristas, motociclistas, ciclistas e pedestres. Muitas vezes, ajustes pontuais em um cruzamento, a melhoria da sinalização ou a reorganização do fluxo viário podem gerar impactos extremamente positivos na redução dos acidentes”, afirma.

O conceito de Sistema Seguro, adotado em diversos países e cada vez mais presente nas discussões sobre mobilidade urbana, parte do entendimento de que falhas humanas podem ocorrer e que a infraestrutura deve ser planejada para minimizar suas consequências. 

Essa visão amplia a responsabilidade do planejamento urbano e valoriza intervenções capazes de tornar os deslocamentos mais seguros para todos os usuários da via. Em cidades com características específicas, como Campos do Jordão, onde a topografia acidentada, as condições climáticas e o intenso fluxo turístico em determinadas épocas do ano exigem atenção especial à mobilidade, o planejamento viário torna-se ainda mais relevante. Segundo Rogério Balsante, “cada município possui particularidades que precisam ser consideradas pelos profissionais responsáveis pelo planejamento urbano. A adoção de soluções padronizadas nem sempre é suficiente. É fundamental analisar as características locais para desenvolver intervenções eficientes, seguras e compatíveis com a realidade da cidade”.

Mais do que apresentar recomendações técnicas, iniciativas como o manual elaborado pelo Crea-SP reforçam a necessidade de incorporar a engenharia às estratégias permanentes de segurança viária. A atuação dos profissionais habilitados permite identificar riscos, propor melhorias e acompanhar a execução de intervenções que impactam diretamente a qualidade de vida da população. 

Para a Associação dos Engenheiros e Arquitetos de Campos do Jordão, investir em planejamento, manutenção e qualificação técnica da infraestrutura urbana representa um caminho indispensável para a construção de cidades mais humanas, organizadas e seguras. Como destaca Rogério Balsante, “quando a engenharia participa ativamente das decisões relacionadas à mobilidade, os benefícios aparecem não apenas na fluidez do trânsito, mas principalmente na preservação de vidas. E não existe investimento público mais importante do que aquele que protege as pessoas”.

Por Fabricio Oliveira – MTB 57.421/SP