A preservação das florestas é uma questão crítica para a sustentabilidade ambiental, e a engenharia desempenha um papel fundamental nessa missão. Através de tecnologias avançadas, práticas de gestão e desenvolvimento de infraestrutura sustentável, a engenharia pode mitigar os impactos humanos e ajudar na conservação desses ecossistemas vitais.
Além das florestas naturais, as florestas urbanas desempenham um papel crucial na melhoria da qualidade de vida nas cidades. Em locais como Campos do Jordão, no interior de São Paulo, as florestas urbanas oferecem diversos benefícios.
O tema, que tem grande importância, foi motivo do 2º Fórum de Arborização Urbana do Crea-SP, que reuniu, em junho de 2024, profissionais da área tecnológica e gestores públicos para um debate multidisciplinar sobre os impactos das mudanças climáticas. No Coworking da Sede Angélica, estiveram em pauta exemplos de iniciativas públicas bem-sucedidas e a legislação vigente no estado de São Paulo sobre arborização das cidades.
O Eng. Henrique Leite, especialista em arborização urbana e segurança do trabalho, explicou que um dos causadores do problema é o stress local, caracterizado como uma atividade antrópica em que não há tempo para a recuperação natural. “Quanto mais modificação no espaço urbano sem tempo para reaver a vegetação local maior a incidência de ilhas de calor naquela área”, afirmou durante o evento.
Para o presidente da AEACJ, Engenheiro Rogério Balsante, a presença de áreas verdes em cidades como Campos do Jordão tem um impacto positivo no bem-estar psicológico dos habitantes. “Estudos mostram que o acesso a espaços verdes está associado a menores níveis de estresse e maior qualidade de vida. Além disso, esses espaços promovem a socialização e atividades recreativas”.
“As florestas urbanas ajudam a regular o clima local, proporcionando sombra e resfriando o ar, o que é especialmente importante em áreas urbanizadas onde as temperaturas tendem a ser mais altas devido ao fenômeno das ilhas de calor”, afirma Balsante.
Durante o fórum José Renato Nalini, secretário Executivo de Mudanças Climáticas (Seclima) da Prefeitura de São Paulo, ressaltou a atuação dos engenheiros florestais frente às mudanças climáticas, que chamou de “emergência climática permanente”, em referência ao termo utilizado pela ministra do Meio Ambiente, Marina Silva. “Precisamos que todos pensem a respeito e cada um faça a sua parte. As árvores permitem que tenhamos uma variação de 5 a 10 graus a menos do que em calçadas que não tem arborização, o que ameniza o impacto das ilhas de calor. Só na cidade de São Paulo temos um déficit de 3 milhões de árvores”, observou.
“Na cidade de Campos do Jordão temos Engenheiros Florestais e eles precisam ser acionados pela população, afinal são capazes tecnicamente para orientar a sociedade”, afirma o presidente da AEACJ, Engenheiro Rogério Balsante.
Normas e leis são fundamentais para a gestão e conservação das áreas verdes urbanas em Campos do Jordão e no Estado de São Paulo. Elas estabelecem diretrizes claras para a preservação ambiental, garantindo que o desenvolvimento urbano ocorra de maneira sustentável e respeitosa ao meio ambiente. Das quais podemos destacar:
ABNT NBR 15575 – Desempenho de Edificações Habitacionais: Inclui diretrizes para a construção sustentável, o que pode impactar a preservação de áreas verdes em ambientes urbanos.
Código Florestal do Estado de São Paulo (Lei nº 9.989/1998): Define diretrizes para a preservação de áreas de vegetação nativa e regulamenta o uso do solo, incluindo áreas urbanas.
Lei Estadual nº 13.550/2009: Estabelece a Política Estadual de Mudanças Climáticas, que inclui diretrizes para a conservação de áreas verdes urbanas como forma de mitigação dos efeitos das mudanças climáticas.
Lei Municipal nº 2.743/2001: Dispõe sobre a criação e manutenção de áreas verdes e parques urbanos em Campos do Jordão.
Decreto nº 6.423/2013: Regulamenta a compensação ambiental para a supressão de vegetação nativa no município.
Código Florestal Brasileiro (Lei nº 12.651/2012): Estabelece normas gerais sobre a proteção da vegetação nativa, aplicáveis tanto a áreas rurais quanto urbanas.
Lei da Política Nacional do Meio Ambiente (Lei nº 6.938/1981): Define diretrizes para a preservação e recuperação do meio ambiente, incluindo áreas urbanas.
Por Fabricio Oliveira – 57.421/SP




