Os recentes temporais registrados na Zona da Mata mineira, especialmente nas cidades de Juiz de Fora e Ubá, reacenderam o debate técnico sobre os riscos associados às chuvas intensas em áreas urbanas localizadas em regiões montanhosas. Em fevereiro de 2026, os volumes excepcionais de precipitação provocaram enchentes e deslizamentos de terra, com dezenas de vítimas e milhares de pessoas desalojadas, evidenciando a necessidade de planejamento técnico adequado em áreas suscetíveis a instabilidades geotécnicas.
Em Juiz de Fora, o acumulado mensal de chuva ultrapassou 500 milímetros — mais que o dobro da média histórica para o período — caracterizando o fevereiro mais chuvoso já registrado no município. Já em Ubá, a precipitação chegou a cerca de 170 milímetros em poucas horas, provocando transbordamentos de cursos d’água e diversos episódios de escorregamento de encostas.
Embora os episódios tenham ocorrido em Minas Gerais, especialistas destacam que as características que contribuíram para os desastres — relevo acidentado, ocupação em áreas inclinadas e chuvas concentradas — também estão presentes em diversas cidades da Serra da Mantiqueira, como Campos do Jordão.
Em áreas de encosta, a combinação entre solos saturados, declividades acentuadas e intervenções sem acompanhamento técnico pode aumentar significativamente o risco de deslizamentos e erosões. Por isso, o planejamento adequado e a execução de obras com responsabilidade técnica são fundamentais para a segurança das construções e dos moradores.
De acordo com a Associação dos Engenheiros e Arquitetos de Campos do Jordão, a engenharia tem papel essencial na prevenção de riscos relacionados às chuvas intensas. “Eventos extremos como os registrados recentemente em Minas Gerais mostram que a prevenção começa no planejamento técnico adequado das edificações e das intervenções no terreno. A presença de profissionais habilitados é fundamental para garantir a segurança das construções, especialmente em cidades de relevo acidentado como Campos do Jordão”, destaca a entidade.
O presidente da associação, o Engenheiro civil Rogério Balsante, ressalta que a atuação profissional é determinante para reduzir riscos estruturais e geotécnicos. “A engenharia oferece ferramentas técnicas capazes de reduzir significativamente os riscos provocados pelas chuvas. Estudos de solo, projetos de drenagem e soluções de contenção de encostas são medidas essenciais para garantir a estabilidade das construções e a segurança das famílias”, afirma.
A construção segura em áreas sujeitas a chuvas intensas depende do cumprimento rigoroso de normas técnicas que orientam o dimensionamento de estruturas e sistemas de drenagem.
Entre os principais referenciais técnicos estão as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), que estabelecem parâmetros para projetos estruturais e geotécnicos, incluindo:
- NBR 6122 – Projeto e execução de fundações, essencial para obras em terrenos inclinados;
- NBR 11682 – Estabilidade de encostas;
- NBR 10844 – Instalações prediais de águas pluviais;
- NBR 15575 – Desempenho de edificações habitacionais.
A aplicação correta dessas normas permite prever o comportamento do solo, controlar o escoamento das águas e reduzir a possibilidade de danos estruturais.
Por Fabricio Oliveira – MTB 57.421/SP




